- Idioma: PORTUGUÊS
- Tipo de Capa: OUTROS
- Número de Páginas: 16
- Ano de Edição: 2024
- Número de Edição: 1º
- Dimensões: 21 x 15 x 1.5cm;
- ISBN: 9789895385980
ATENÇÃO: Foto meramente ilustrativa
?Os mitos sempre foram a melhor forma de transmitir coordenadas morais. Reunidos em torno da musa das chamas, os nossos antepassados inventavam histórias sobre personagens ambíguas, circunstâncias alegóricas e lições imateriais. Ao longo destes dez metros e meio de papel, Álvaro Siza consegue recriar essa atmosfera de estarmos à volta da fogueira, iluminados apenas pela imaginação. Siza esquissa de jorro e a tinta nunca se desperdiça. A mão adquire qualidades distintas da frente para o verso do livro, respectivamente mais gestual e mais detalhada. A enganadora simplicidade do desenho de linha não permite ocultar qualquer engano. As figuras parecem por vezes alongadas ou exageradas de modo a vincar a justa escala da acção narrativa, cena a cena e em câmara lenta. Alguns manuscritos, como o místico pustaha de Toba Batak, utilizavam pela sua beleza a mesma técnica de dobras tipo acordeão. Contudo, Álvaro Siza excede todas as expectativas no seu leporello ? nome do responsável pela longa lista de conquistas de Don Giovanni. Estas folhas serão um monumento sempiterno ao(s) artista(s) cujo uniforme seja a poesia e cuja ferramenta seja o seu talento.? António Choupina, também arquitecto, curador e autor de importantes projectos ligados a Álvaro Siza, de quem é amigo, resume assim este Édipo/Antígona, num dos textos que acompanha o livro (o outro é de François Burkhardt, historiador e crítico de arquitectura e design). Num livro em fole, integralmente construído à mão, Álvaro Siza desenhou uma narrativa mitológica, de indizível crueldade, ternura e erotismo, remetendo-nos para as peças clássicas de Sófocles. O caderno intimista vem acompanhado por uma serigrafia que, sob a forma de tríptico, resume a tragédia de Édipo. Isto permite, de alguma forma, transpor para uma parede o talento imaginário de Álvaro Siza.