A Dimensão Intangível do Patrimônio Urbano
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- Calcular frete- Idioma: PORTUGUÊS
- Tipo de Capa: BROCHURA
- Número de Páginas: 246
- Ano de Edição: 2025
- Número de Edição: 1º
- Dimensões: 23 x 16 x 1cm;
- ISBN: 9786585936675
ATENÇÃO: Foto meramente ilustrativa
A dimensão intangível do patrimônio urbano, livro que temos aqui, oriundo da tese de doutorado em Arquitetura e Urbanismo da autora no Instituto de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo e na Universidade de Sevilha, Espanha, é um trabalho inovador e relevante. Ao abordar aspectos da questão do patrimônio material, imaterial e de sua materialidade e tangibilidade em relação à sua imaterialidade e suposta intangibilidade, Bárbara Guazzelli realmente problematiza categorias que, vindas de reivindicações de fazedores de cultura (popular) e de sua necessária ampliação da definição de saberes, fazeres, viveres, de arte, cultura e técnicas, são enfim capturadas pela linguagem cultural do capitalismo contemporâneo. Na era do ?capitalismo artista?, nos termos do filósofo francês Gilles Lipovetsky, a ideia de um mundo da arte total se afasta radicalmente de qualquer projeto de integridade do fazer e da técnica enquanto representação e produção da própria vida. Ao contrário, os meios de comunicação e produção da imagem e do som em massa engolem, digerem e vomitam versões amainadas, pasteurizadas, anódinas, do objeto cultural, com ou sem matéria associada, subjacente, imanente ou transcendente, como queira. Ocorre, sim, um processo de produção de signos para o consumo e de liberalização da própria linguagem (essa sim, sinestésica, total; sabor, cheiro, cor, som, vibração e textura), tornada autônoma para que se desvincule de suas referências históricas produtoras e se homogenize enquanto produto. Total, assim, seria a paisagem de um mundo em que até a miséria adquire contornos suposta e perversamente poéticos, mas sem o conteúdo incômodo da denúncia da desigualdade, pois estraga as vendas. O trabalho tem como base os casos da cidade brasileira de Belém, no Pará, e da espanhola Sevilha, na região da Andaluzia. À parte as diferenças óbvias, como o fato de se tratar de uma cidade úmida na Amazônia, em relação a outra, seca, de clima mediterrânico, as similaridades são traçadas pela autora. Em ambas, a relação entre os produtos coletivos, populares, dos saberes e das técnicas, como a comida amazônica ou a cultura do flamenco, é explorada no contexto da respectiva cidade e região. Criam-se cartografias novamente sinestésicas para contextualizar o bairro de Triana e a feira do Ver-O-Peso, com fidelidade. Mapeando decisões institucionais do campo do Patrimônio Cultural e seus casos locais, mostra-se como resultam contraditórias certas ferramentas patrimoniais em um contexto da cidade-mercadoria, do plano estratégico e do envelopamento da cultura local nos pacotes inofensivos e amigáveis do turismo de massa, coreografado e desidratado justamente da contundência que culturas ancestrais possuem. Assim, o percurso aprofunda a crítica entre um flamenco que nem sempre se reconhece na denominação genérica ?mouro? ou ?árabe?, e vende vestidos em lojas de grife, e uma culinária cabocla, indígena e negra que, adestrada à mesa, adentra a linguagem fusion do dito fine dining genérico internacional. Sempre presentes, a alienação do trabalho e o fetiche da mercadoria marxistas mostram que, em tempos de inteligência artificial, nem mesmo o saque da cultura popular é novidade. Um mergulho no texto dessas cidades nos dá o entendimento da questão.